quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Resíduo para recompor Calçadas

Fonte: O Repórter

Pesquisa da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP mostra o lodo produzido em Estação de Tratamento de Água (ETA) pode ser usado na confecção de concreto para recomposição de calçadas. O concreto pronto tem a propriedade de encapsular resíduos metálicos perigosos presentes  no lodo, evitando que causem riscos à saúde. O reaproveitamento também evita que o lodo seja lançado na natureza, contaminando o ambiente.
Os experimentos utilizaram o lodo produzido pela ETA de Mirassol, no interior de São Paulo. “Este resíduo normalmente não é reaproveitado, sendo simplesmente descartado em corpos hídricos, podendo atingir áreas de mananciais e comprometer o abastecimento de água”, conta o professor Valdir Schalch, da EESC, que coordenou a pesquisa. 
Na ETA foi utilizado o Cloreto de Polialumínio Composto (PAC), um produto químico que é aplicado para induzir a formação do lodo por meio de coagulação. O resíduo foi levado para o Laboratório de Saneamento da EESC, onde passou por ensaios de lixiviação e solubilização. Em seguida, no Laboratório de Construção Civil da Escola, aconteceram os ensaios de utilização do lodo na produção de concreto. 
Os pesquisadores elaboraram três traços de concreto, cada um com  diferentes proporções de lodo, cimento, areia e brita. “Os melhores resultados surgiram com teores de lodo em torno de 10% na mistura”, destaca Schalch. “A espessura para que o concreto possa ser aproveitado em calçadas é de aproximadamente 5 centímetros”. 

Viabilidade
O lodo da ETA de Mirassol foi classificado como resíduo “Classe II A”. Apesar de não ser perigoso e nem inerte, ele contém teores elevados de cádmio, chumbo e manganês, metais que podem trazer riscos à saúde humana. “Quando o concreto é utilizado na calçada, esses metais ficam encapsulados, e o risco de contaminação se torna bastante reduzido”, ressalta o professor da EESC. 
De acordo com Schalch, o uso do lodo para confecção de blocos usados na construção de casas e edifícios não é recomendado, pois não existem normatizações reguladoras específicas, o que levou a sua utilização em calçamentos. “O concreto apresentou resultados satisfatórios para ser utilizado em recomposição de calçadas”, acrescenta. 
O reaproveitamento do lodo diminui os custos da destinação final do resíduo. “A nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, regulamentada pelo Decreto 7.404/2010, no que diz respeito aos resíduos de serviços públicos de saneamento básico, estabelece que eles não devem ser lançados em corpos hídricos, como rios e lagos”, afirma o professor. “Por isso, a reutilização para produção de concreto é uma alternativa ambientalmente adequada”. 
A pesquisa faz parte da dissertação de mestrado do engenheiro Alvaro José Calheiros da Costa, apresentada no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Hidráulica e Saneamento da EESC da USP. O estudo teve orientação do professor Valdir Schalch, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Saneamento da EESC.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Setor hoteleiro investe pouco em paisagismo e ecoturismo

Fonte: Forum da Construção
Inês Reis e Márcia Marques
Hoje no primeiro mundo não existe nada mais "moderno" do que conhecer os poucos lugares do mundo onde a natureza ainda está preservada, e os milhões de turistas estrangeiros que visitam regularmente a Amazônia, sabem disso.
O Brasil possui ainda regiões relevantes de áreas naturais e é o país de maior diversidade do mundo, seu potencial eco turístico é muito grande, o que tem proporcionado o desenvolvimento desta atividade, com movimentação de milhões de reais.
Os municípios brasileiros, em sua maioria, possuem atrativos para se tornarem pólos eco turísticos. Mas além da disposição do município em implantar o ecoturismo, a existência de serviços e infra-estrutura (hotéis, pousadas, estradas, telefone, etc.) é uma pré-condição a ser observada.


Entre os principais destinos conhecidos estão: Bonito (MS), Chapada Diamantina (BA), Chapada dos Guimarães (MT), Chapada dos Veadeiros (GO), Fernando de Noronha (PE), litoral sul da Bahia, Pantanal (MS/MT), Serra Gaúcha (RS), Serra do Mar (SP), Vale do Ribeira (SP) e diversas regiões do litoral nordestino.
Ouve-se falar sobre um dos maiores atrativos turísticos do Brasil, a Amazônia.
A falta de interesse dos brasileiros em conhecer a Amazônia chama a atenção dos estudiosos do turismo principalmente porque, longe de ser uma viagem tediosa, a região oferece emoção, cultura, paisagem e descobertas que aumentarão nosso conceito de cidadania. Mais espanto ainda sentimos quando lemos os relatos de tantos jovens brasileiros que se aventuram pela África, no entorno dos Pólos, em frágeis embarcações através de oceanos perigosos, escalam o Atacama e conhecem Bali na palma da mão, todas as atividades muito interessantes e válidas, mas porque tantos viajantes e aventureiros simplesmente ignoram a Amazônia de seus roteiros?

Com a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 no Brasil reforça a necessidade de um olhar diferenciado e de melhorias nessa área. Ainda assim, poucos setores econômicos têm percebido a importância de investir em projetos de paisagismo e ecoturismo.

Tanto os clientes, como os operadores turísticos, valorizam cada vez mais hotéis, pousadas e empreendimentos que tenham feito uma opção pela sustentabilidade e pelo meio ambiente, jardins elaborados e ambientes externos adequados.

Os jardins dos empreendimentos turísticos, apresentam níveis de qualidade inimagináveis há poucos anos atrás, não só na utilização de uma maior variedade de plantas, espelhos d’água, fontes, bancos, pergolados e outros elementos do paisagismo, servem para valorizar os ambientes, como também servem para que o cliente desfrute de um maior conforto e se sinta mais motivado a esticar a sua estadia.

O ecoturismo é uma atividade sustentável e, por se preocupar com a preservação do patrimônio natural e cultural, diferencia-se do turismo predatório. É uma tendência mundial em crescimento e responde a várias demandas: desde a prática do esporte radical ao estudo científico dos ecossistemas.

Existem várias hipóteses para tentar explicar o porquê de as pessoas estarem buscando esse tipo de atividade. As mais comuns são a preocupação com o meio ambiente, maior conscientização ecológica e uma maneira de fugir da rotina e do estresse dos grandes centros urbanos.

Estima-se que mais de meio milhão de pessoas no Brasil pratiquem o ecoturismo, que deve empregar cerca de 30 mil pessoas através de, no mínimo, 5 mil empresas e instituições privadas.

Para que uma atividade se classifique como ecoturismo, são necessárias quatro condições básicas: respeito às comunidades locais; envolvimento econômico efetivo das comunidades locais; respeito às condições naturais e conservação do meio ambiente e interação educacional - garantia de que o turista incorpore para a sua vida o que aprende em sua visita, gerando consciência para a preservação da natureza e dos patrimônios histórico, cultural e étnico.
O volume de recursos necessários para a implantação do ecoturismo varia conforme o tamanho do município, da área a ser utilizada e da disposição da administração e da população locais. Isto exigiria a adaptação dos serviços de promoção do turismo (hotéis, agências, restaurantes, atividades esportivas e culturais) a uma gama de turistas bastante heterogênea economicamente.

Embora todo município possua condições de implementar sozinho algum tipo de atividade turística, algumas questões correlacionadas não podem ser resolvidas unicamente na esfera municipal. Alguns municípios possuem atrações turísticas, mas não a infra-estrutura necessária para o turismo.

Coitadas das nossas árvores, coitadas de nossas calçadas

Fonte: Paisagismo BrasilGilberto Matter


Caminhando pelas calçadas de nossas cidades, quase sempre danificadas por buracos e dos mais variados obstáculos, vemos as árvores, quase sempre mutiladas pelas podas erradas, pelas ervas-de-passarinho, por suas raízes asfixiadas pelo calçamento, pela proximidade a fiação elétrica, ao meio fio, muros, postes de iluminação, imóveis, pelos equipamentos urbanos e muitos outros.

Danos em calçadas provocadas pelas raízes superficiais e as interferências dos galhos das árvores na rede de transmissão de energia elétrica são as ocorrências mais típicas.

Estes problemas são muito comuns de serem visualizados e provoca, na grande maioria das vezes, um manejo inadequado e prejudicial às árvores. É comum vermos árvores podadas drasticamente e com muitos problemas fitossanitários, como presença de cupins, brocas, outros tipos de patógenos, injúrias físicas como anelamentos, caules ocos e podres, galhos lascados e muitos outros.

Mutiladas, ou mesmo eliminadas, quando se trata de reformas urbanas como alargamento de vias, conserto de encanamentos, manutenção da rede elétrica, construção e reforma de edificações residenciais, comerciais e mesmo institucionais.

Como elas estão, são um risco para pedestres e veículos. As quedas naturais ocorrem, seja pela idade avançada, cupins e até a inevitável poluição do meio urbano. Mas muitas poderiam ser evitadas se as pessoas e as concessionárias elétricas tivessem um pouco mais de cuidado.

A poda é o maior inimigo. Com o objetivo de livrar a fiação, as podas desequilibram as copas, aumentando os riscos de tombamento, com graves prejuízos a veículos, pedestres e edificações. Caso seja feita de forma incorreta, pode agredir e desfigurá-las, ou até mesmo matá-las.

A necessidade de poda é conseqüência do plantio de árvores inadequadas com o local. Nas ruas, o crescimento das árvores precisa se compatibilizar com redes de fiação, postes de iluminação, semáforos, letreiros e outros.

O ideal seria o preparo da árvore desde jovem, com podas de contenção, que é a redução da altura da copa, com o objetivo de mantê-la abaixo da fiação aérea.

Os moradores também têm culpa, quando cimentam em volta do tronco, podam de forma irregular, cortam as raízes que estão quebrando a calçada, plantam espécies exóticas na frente do seu imóvel, passam cal no tronco (às vezes pintam com tinta mesmo), colocam placas, enfim uma serie de atentados as nossas árvores, que fazem senão, nos dar vários benefícios, como a sua sombra, abrigo aos pássaros, combater a poluição nos dando o seu oxigênio, diminuir os ruídos, além de embelezar e diminuir a aridez provocada pelas edificações, tudo isto sem nos cobrar nada em troca. As árvores exercem grande influência sobre a qualidade de vida das pessoas, além de tornar a paisagem mais bela e agradável.

O problema poderia ser evitado com um bom planejamento, bem como o envolvimento com empresas e com a população em geral, através de programas de educação ambiental, procurando envolver os moradores no processo de arborização ou rearborização da cidade.

A responsabilidade da calçada é do proprietário do imóvel, mas quem plantou a árvore que a danificou? De quem é a culpa por nossas árvores estarem assim?

Imaginem se nossas árvores fossem bem conduzidas, as calçadas bem feitas e padronizadas, certamente nossas cidades seria muito mais bonitas. É preciso conversar e trocar idéias para ver onde queremos chegar, para converter o que estamos vendo por aí.

Dois empreendimentos brasileiros estão entre os mais sustentáveis




Em ranking elaborado pelo Climate Positive Development Program, iniciativa da Fundação Clinton e do U.S. Green Building Council, dois empreendimentos brasileiros foram escolhidos entre os 18 projetos mais sustentáveis do mundo. São eles: Parque da Cidade, em São Paulo, e Pedra Branca Cidade, situado em Palhoça, em Santa Catarina.

Considerado referência internacional de desenvolvimento urbano e redução da emissão de CO2, o megacomplexo paulista, desenvolvido pela Odebrecht e situado em uma área de 82 mil m² no bairro do Brooklin, conta com prédios residenciais, comerciais, shopping e hotel. Segundo a construtora, por conta de iniciativas sustentáveis, a fase de obras deve economizar R$ 500 mil. Já na operação, o empreendimento terá sistema de captação de energia solar, uso de lâmpadas LED, ar condicionado com sistema para economia de energia elétrica, captação de água da chuva e sanitários com sistema de esgoto a vácuo. 

Já o projeto Pedra Branca Cidade, em Palhoça, Santa Catarina, começou a ser desenvolvido no ano de 1997 onde, até então, as terras que compõem o maior e mais desenvolvido empreendimento da região faziam parte de uma fazenda destinada à agropecuária. O projeto de urbanização de 250 hectares possui edifícios dotados de tecnologias alternativas, com certificação ambiental e materiais recicláveis. As ruas priorizam o pedestre e o transporte por bicicletas. O objetivo maior é se tornar uma região com emissão de carbono zero.

Os outros projetos lembrados pelo ranking foram: Victoria Harbour e Barangardo (Austrália), Menlyn Maine (África do Sul), Magok Urban Project (Japão), Mahindra World City e Godrej Garden City (Índia), Panamá Pacífico (Panamá), Project Zero (Polônia), Stockholm Royal Seaport (Suécia), Albert Basin (Irlanda do Norte), Elephant & Castle (Inglaterra) e os empreendimentos americanos Dorckside Green, Ecodistricts, Treasure Island, Oberlin e Waterfront Toronto.

Fonte: http://www.piniweb.com.br/construcao/sustentabilidade/dois-empreendimentos-brasileiros-estao-entre-os-18-mais-sustentaveis-do-290431-1.asp

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Substitua as espécies invasoras de seu jardim

Fonte: Paisagismo BrasilAnita Cid

Muitas vezes ao projetar um jardim, o paisagista não tem idéia de seu papel na manutenção do equilíbrio ecológico. A escolha adequada das plantas que irão compor um jardim ou parque, é essencial para que não haja nenhum dano ao meio ambiente, nem econômico para o proprietário do local.

A seguir são apresentadas três espécies exóticas invasoras e suas respectivas opções de substituição:

Impatiens walleriana (beijinho, maria-sem-vergonha)
Impactos ecológicos: Domina completamente áreas sombreadas, em especial ambientes úmidos, deslocando plantas nativas de sub-bosque.
Substituir por: Impatiens hawkeri (beijo-pintado)

Lonicera japonica (madressilva)
Impactos ecológicos: Ocupa dossel e bordas de florestas e capões causando extremo sombreamento, sufoca e impede o desenvolvimento da vegetação nativa por competição por luz, nutrientes e agentes polinizadores.
Substituir por: Jasminum polyanthum (jasmim-dos-poetas)

Eriobotrya japonica (nêspera, ameixa-amarela)
Impactos ecológicos: Ocupa o espaço de espécies nativas no interior de florestas, seus frutos são muito atrativos para os pássaros que se alimentam da espécie e propagam suas sementes em detrimento das espécies nativas que com isso têm a dispersão de suas sementes reduzida.
Substituir por: Eugenia uniflora (pitangueira) 

O que é um projeto sustentável?

Hoje os edifícios são os principais responsáveis pelos impactos causados à natureza, pois consomem mais da metade de toda a energia usada nos países desenvolvidos e produzem mais da metade de todos os gases que vem modificando o clima.
O projeto de arquitetura sustentável contesta a idéia do edifício como obra de arte e o compreende como parte do habitat vivo , estreitamente ligado ao sítio, à sociedade, ao clima, a região e ao planeta. Se compromete a difundir maneiras de construir com menor impacto ambiental e maiores ganhos sociais, sem contudo, ser inviável economicamente.
A elaboração de um projeto de arquitetura na busca por uma maior sustentabilidade deve considerar todo o ciclo de vida da edificação, incluindo seu uso, manutenção e sua reciclagem ou demolição. O caminho para a sustentabilidade não é único e muito menos possui receitas, e sim depende do conhecimento e da criatividade de cada parte envolvida.
“É extremamente importante que o profissional tenha em mente que todas as soluções encontradas não são perfeitas, sendo apenas uma tentativa de busca em direção a uma arquitetura mais sustentável. Com o avanço tecnológico sempre surgirão novas soluções mais eficientes.” (YEANG,1999)
Alguns princípios básicos devem nortear o projeto:
  • Avaliação do impacto sobre o meio em toda e qualquer decisão, buscando evitar danos ao meio ambiente, considerando o ar, a água, o solo, a flora, a fauna e o ecossistema;
  • Implantação e análise do entorno;
  • Seleção de materiais atóxicos, recicláveis e reutilizáveis;
  • Minimização e redução de resíduos;
  • Valorização da inteligência nas edificações para otimizar o uso;
  • Promoção da eficiência energética com ênfase em fontes alternativas;
  • Redução do consumo de água;
  • Promoção da qualidade ambiental interna;
  • Uso de arquitetura bioclimática.

Quais as Vantagens de um projeto sustentável?

O projeto sustentável, por ser interdisciplinar e ter premissas mais abrangentes, garante maior cuidado com as soluções propostas, tanto do ponto de vista ambiental quanto dos aspectos sociais, culturais e econômicos.
O resultado final dessa nova arquitetura ecológica, verde e sustentável, proporciona grande vantagem para seus consumidores. Quem não quer ter uma casa saudável, clara, termicamente confortável e que gaste menos água e energia?
A casa ecológica, além de beneficiar o meio ambiente, garante o bem estar de seu usuário (faz bem para a saúde, para o bolso e para o planeta.)
Já a prática da arquitetura sustentável em empreendimentos imobiliários pode ser ainda mais vantajosa, uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. Esse nicho de mercado é hoje um diferencial, mas no futuro se tranformará em requisito, pois está dentro da necessidade urgente de melhores indicativos de qualidade de vida.
Os principais benefícios são:
  • redução dos custos de investimento e de operação;
  • imagem, diferenciação e valorização do produto;
  • redução dos riscos;
  • mais produtividade e saúde do usuário;
  • novas oportunidades de negócios;
  • satisfação de fazer a coisa certa.